terça-feira, 30 de junho de 2020

COVID-19: TIMON PODE TER ATÉ 800 NOVOS CASOS EM 10 DIAS

EM UMA CONVERSA COM ELIAS LACERDA PROMOTOR DE JUSTIÇA DA SAÚDE DE TIMON FALA EM 80 CASOS POR DIA
São Paulo: número de mortos por Covid-19 subiu 158% em uma semana ...

Em conversa com o eliaslacerda.com, o promotor de justiça da saúde em Timon, Dr. Antonio Borges Júnior, disse apoiar a medida de lockdown assinada por Luciano Leitoa, ontem, segunda (29), no mesmo dia o promotor disse ter enviado uma notificação recomendatória ao prefeito Luciano Leitoa recomendando as medidas adotadas. “Estamos no pico da doença e não tem sentido Teresina, adotar medidas de isolamento e Timon não seguir o mesmo caminho”, destacou o promotor.Continua depois da publicidade

Antonio Borges lembrou que no último final de semana Timon recebeu uma enorme quantidade de teresinenses em balneários, supermercados e postos de combustíveis da cidade aumentando a circulação de pessoas, situação que favorece a propagação do novo coronavírus.

O membro do ministério público informou ainda que preocupa o avanço da doença em Timon, pois são registrados cerca de 80 casos por dia e vários profissionais de saúde estão sendo infectados e os afastados para tratamento da doença estão deixando vagas difíceis de serem preenchidas,  já que são poucos os profissionais disponíveis no mercado nesses tempos de pandemia devida a demanda por esta mão de obra profissional.

“Nossos profissionais de saúde que estão analisando a doença em Timon afirmam que as próximas três semanas serão de muita preocupação e medidas de isolamento precisam ser tomadas para tentar conter a doença”, destacou o promotor.

FONTE: R10 



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LOCKDOWN DE DOIS DIAS EM TIMON

LOCKDOWN DE DOIS DIAS EM TIMON É PIADA?


O prefeito de Timon Luciano Leitoa publicou decreto municipal que estabelece lockdown na cidade por dois dias.  O Decreto foi publicado ontem, segunda-feira (29) no Diário Oficial do Município.


As restrições de circulação de pessoas na cidade vão começar na quinta e sexta-feira, dias 2 e 3 de julho terão autorização para funcionar: Mercados, supermercados, hipermercados e congêneres, padarias, borracharias, serviços bancários exclusivamente para pagamento de auxílio emergencial e benefícios sociais e autoatendimento, casas lotéricas, oficinas, para serviços de manutenção e conserto de veículos, farmácias e drogarias, serviços de saúde, atividades de distribuição e comercialização de combustíveis, biocombustíveis, gás liquefeito de petróleo e demais derivados de petróleo, serviços de delivery, serviços de segurança e vigilância, serviços de transporte de cargas, órgãos e profissionais de comunicação, comércio de materiais de construção, ferragens, ferramentas, material elétrico, cimento, tintas, vernizes e materiais para pintura, mármores, granitos e pedras de revestimento, vidros, espelhos e vitrais, madeira e artefatos, materiais hidráulicos, cal, areia, pedra britada, tijolos e telhas.

Com o fechamento completo dos estabelecimentos no sábado, dia  4 e no domingo, dia 5.

A medida tem como objetivo baixar os índices da doença no município e na região, já que em Teresina tudo vai estar fechado


Nos dois dias de lockdown (sábado e domingo) apenas farmácias e Delivery de alimentação estarão funcionado.

Padarias, mercados, supermercados, postos de combustíveis e feiras em geral estarão fechados.

E ai timonense para você dois dias é o bastante? Vamos só lembrar que o vírus pode demorar 3, 7 ou 14 dias para manifestar sintomas, será que vai ajudar muito dois dias? 

Vamos aguardar e esperar que não se torne piada e que mais e mais medidas assim sejam tomadas e que tenham resultado.

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domingo, 28 de junho de 2020

CARBONIZADOS: ACIDENTE CAUSA MORTE DE DUAS PESSOAS


Na tarde de sábado, 27 de junho, um grave acidente foi registrado no Km 452, da rodovia BR-135, na cidade de Monte Alegre, no Sul do Piauí. Nele, duas pessoas morreram carbonizadas.

Segundo informações da Polícia Rodoviária Federal, o acidente envolveu o veículo de carga Volvo conduzido por um homem de 32 anos que saiu ileso e o veículo de passeio Logan, que tinha duas pessoas, que morreram carbonizadas.

“Os policiais rodoviários federais foram acionados para atender esse acidente que foi do tipo saída de leito carroçável, seguido de colisão frontal e incêndio. No local, duas pessoas que não foram identificadas vieram a óbito carbonizadas”, afirmou o inspetor.

De acordo com levantamento no local e vestígios, o condutor do veículo de passeio invadiu a faixa contrária, colidindo frontalmente com o veículo de carga ao tentar retornar bruscamente depois de saída da pista de rolamento.  Após a colisão, o veículo de passeio pegou fogo. 

A PRF informou que há evidências de que uma das causas seria a perda de controle devido o desnível da pista de rolamento com o acostamento que não é pavimentado, o local do acidente é uma reta e sem imperfeições. Os policiais ainda estão fazendo as devidas diligências no sentido de identificar as causas que poderiam ter contribuído pra o acidente. A Polícia Civil foi chamada para os procedimentos cabíveis.
boletim

FONTE: Voz do Piauí
Reprodução

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SEM CONTROLE: 61 ÓBITOS EM TIMON, RUAS, COMÉRCIOS, AÇOUGUES, SUPERMERCADOS LOTADOS

Veja o boletim epidemiológico da COVID-19, em Timon

 
  
O levantamento feito pela Secretaria Municipal de Saúde, em Timon, mostra: 5620 casos notificados, 1762 suspeitos, 1911 descartados, 1947 confirmados, 452 recuperados e 61 óbitos.

Sobre a morte registrada nas últimas 24 horas. Paciente do sexo masculino, 70 anos de idade, com hipertensão e residente no bairro Mangueira.

Na gestão de atendimentos dos casos confirmados:

(1391) isolamento domiciliar

(452) recuperados

(61) óbitos

(28) internações em enfermaria

(15) internações em UTI

Avaliando pela faixa etária os pacientes confirmados para COVID:

De 0 a 9 anos: 35

10 a 19 anos: 102

20 a 29 anos: 354

30 a 39 anos: 473

40 a 49 anos: 407

50 a 59 anos: 236

60 a 70 anos: 177

+ de 70 anos: 163

Em relação ao sexo dos pacientes infectados com o novo coronavírus: 874 pacientes são homens, o que equivale a 44,89% dos casos e 1073 são mulheres, o equivalente a 55,11% do total de casos da doença.

Entre os casos registrados envolvendo profissionais de saúde: 110 foram confirmados e 59 recuperados.

Sobre a ocupação de leitos de casos confirmados e suspeitos:

Do total de 56 leitos de enfermaria, 34 estão ocupados.

Do total de 12 leitos de UTI, 12 estão ocupados.

O boletim aponta que as pessoas infectadas com o novo coronavírus, em Timon, estão presentes em 92 bairros da cidade, com maior número de casos:

Parque Piauí I - 210

Parque Piauí II - 168

São Benedito - 140

Já os casos suspeitos da COVID foram mapeados em 94 bairros, com maior número estão:

Parque Alvorada - 178

Parque Piauí II - 175

Parque Piauí I - 100

A Prefeitura de Timon vai seguir com as medidas de enfrentamento e combate definidas em decretos municipais. Com o aumento de casos, o grande desafio é reduzir a proliferação do novo coronavírus.

Rede de Atendimento à COVID

Hospital de Campanha Maria do Carmo Neiva com 16 leitos com balão de oxigênio. O hospital atende até os casos de gravidade moderada.

Hospital Parque Alvorada com 28 leitos clínicos e está sendo montada uma sala de estabilização com 4 leitos. Todos os leitos com balão de oxigênio e atende pacientes com gravidade moderada da doença.

Unidade de Pronto Atendimento (UPA) - são 04 leitos nas salas vermelhas com ventiladores.

Hospital Alarico Pacheco - são 14 leitos clínicos e mais 12 leitos de UTI.

Além de seis (6) Unidades básicas de saúde que foram referenciadas ao atendimento da Covid.

Medidas de Enfrentamento

Timon e Teresina permanecem unidas fazendo as barreiras sanitárias, nos principais pontos de acesso entre as duas cidades. Além da alteração do atendimento ao público em órgãos e estabelecimentos públicos e privados para garantir a não proliferação do vírus.

 Medidas preventivas e protetivas

O trabalho rotineiro de sanitização de locais públicos e de grande fluxo de pessoas como praças, calçadas e avenidas. A fiscalização realizada pela guarda municipal para manter em funcionamento, apenas o comércio essencial. E a obrigatoriedade do uso de máscara facial sempre que sair de casa.

Apelo à população

Se a população contribuir com o cumprimento dos decretos, mais rapidamente as atividades serão retomadas.

Fonte: Prefeitura de Timon

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sábado, 27 de junho de 2020

MAIS DE 40 KM DO RIO SÃO FRANCISCO FOI INVADIDO PELO MAR POR CAUSA DA AÇÃO DO HOMEM MAS NINGUÉM VAI ASSUMIR


Bolsonaro inaugurou ontem sexta-feira (26) a parte da transposição do Rio São Francisco

Os impactos ambientais no Rio São Francisco ainda são incertos, mas nenhum político vai querer assumir as responsabilidades disso no futuro, e isso é certo.

O Megaprojeto de R$ 12 bilhões dedica R$ 1 bi para mitigação dos danos na natureza. Isso depende de pesquisa científica e monitoramento de longo prazo.

Canal da transposição do Rio São Francisco em Cabrobó (PE) — Foto: Celso Tavares/G1
Canal da transposição do Rio São Francisco em Cabrobó (PE) — Foto: Celso Tavares/G1

A obra da transposição do Rio São Francisco está perto da conclusão após 12 anos de trabalho e 7 de atraso. O investimento estimado é de R$ 12 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). O megaprojeto destina, desde o início, R$ 1 bilhão para mitigar impactos ambientais.

Pesquisadores defendem que é preciso monitoramento de longo prazo para determinar o impacto na fauna e na flora das áreas envolvidas, mas alegam que cortes de verbas públicas já estão limitando essa ação.

A transposição do Rio São Francisco, projeto do governo Lula lançado pelo então ministro da Integração Nacional Ciro Gomes, é a construção de dois grandes canais (um Eixo Norte e um Eixo Leste, totalizando 477 km em obras) que levam águas desse rio essencial para o Nordeste brasileiro até outra área, tradicionalmente bem mais seca. A previsão, ao fim das obras, é abastecer 11,6 milhões de pessoas (4, 5 milhões vão ser atendidas pelo Eixo Leste e 7,1 milhões pelo Eixo Norte).

A ideia da transposição é antiga: nasceu ainda no século 19, quando políticos e intelectuais recomendaram ao imperador Dom Pedro II a construção de um canal que levaria água até o Sertão. Após uma série de estudos realizados nos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu aprová-la, em 2005, iniciando as obras em 2007. — Foto: Celso Tavares/G1
A ideia da transposição é antiga: nasceu ainda no século 19, quando políticos e intelectuais recomendaram ao imperador Dom Pedro II a construção de um canal que levaria água até o Sertão. Após uma série de estudos realizados nos governos Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso, o governo de Luiz Inácio Lula da Silva conseguiu aprová-la, em 2005, iniciando as obras em 2007. — Foto: Celso Tavares/G1

Uma longa história de degradação

No Brasil colonial, o rio hoje apelidado de "Velho Chico" era também conhecido como "Rio dos Currais". Suas margens foram um eixo de expansão, do litoral para o centro do país, principalmente por meio de estradas e da criação de gado.

E foi aí que começaram os impactos da ação humana no São Francisco.
"Chamava-se Rio dos Currais porque vinham tocando o gado, nos séculos 17 e 18, à beira do São Francisco", recorda o pesquisador Luiz César Pereira, coordenador do Centro de Conservação e Manejo de Fauna da Caatinga (Cemafauna), ligado à Universidade do Vale do São Francisco (Univasf). A universidade é a principal encarregada de atuar na mitigação dos impactos, também por meio do Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental (Nema).
"O gado chegava ali em Cabrobó (PE) e ia impactando o solo. Depois, com o tempo, sai o gado – o 'pé duro' como a gente chamava – e entra uma nova forma de pecuária que se adapta à caatinga, que são os ovinos e caprinos, que também trazem impacto, pois se alimentam da caatinga." – Luiz César Pereira, do Cemafauna/Univasf.
Fonte de renda e esperança de prosperidade, o São Francisco ainda hoje é também foco de tensões. A competição pela água contrapõe grandes e pequenos produtores agropecuários, indústrias, comunidades ribeirinhas, pescadores, mineradores, governos, cidades e quatro barragens de usinas hidrelétricas (Três Marias, Sobradinho, Itaparica e Paulo Afonso). Alguns recebem mais água do que outros, alguns pagam mais pela água do que outros e alguns são mais beneficiados ou prejudicados pela transposição do que outros.

Nessa disputa, perde um bioma rico, mas naturalmente frágil: a caatinga.

"Na Mata Atlântica e na Amazônia, se eu cortar a vegetação você vê, aos poucos, um processo natural de sucessão da vegetação, de regeneração. Na caatinga falta umidade para isso", explica Pereira.
A soma de tantas atividades em torno do São Francisco impacta as bacias ligadas a ele desde os lençóis freáticos e nascentes, onde já há relatos de água "funda", ou seja, é preciso perfurar mais para chegar até ela. Isso ocorre também nos afluentes, os rios que alimentam o São Francisco. As barragens das hidrelétricas alagaram grandes áreas e, hoje, também controlam a vazão do rio.

Invasão do mar

Estudos mostram que, como o rio chega fraco ao mar, a água salgada já começa a invadir o São Francisco na foz – entre Sergipe e Alagoas. "O mar está entrando 40 km rio adentro. Os peixes desapareceram. Na verdade, você já encontra peixes do mar a 200 km rio acima", conta José Alves Siqueira, professor da Univasf e coordenador do Centro de Referência para Recuperação de Áreas Degradadas (Crad).

Restam incertezas, entretanto, sobre até que ponto a transposição causa ou amplia esses danos ambientais.

Dois grandes eixos

A transposição se somou, portanto, a um cenário ambiental já complicado. "O rio já sofreu muitas intervenções ao longo os últimos 40, 50 anos", diz César Nunes de Castro, pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

"Reservatórios, hidrelétricas, principalmente do médio São Francisco até a foz do rio: tudo isso alterou totalmente o seu regime normal."

Com a transposição, a água do rio é levada para lugares onde, antes, não chegava. A obra cria dois sistemas independentes de captação de água: são os chamados Eixo Norte e Eixo Leste (veja no mapa).

Mapa da transposição do Rio São Francisco — Foto: Aparecido Gonçalves/G1
Mapa da transposição do Rio São Francisco — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

"Esses canais são como estradas que recortam o Nordeste. Os impactos para a fauna e flora são imensuráveis", comenta Siqueira. "Precisamos deixar de ter uma visão imediatista e ter uma visão de longo prazo. O que vamos fazer para monitorar esses impactos e mitigá-los?"

Há grande incerteza sobre a continuidade da destinação de verbas públicas para monitoramento e pesquisa no São Francisco após a conclusão da obra. Em 2019, dezenas de pessoas contratadas para trabalhar nos programas do São Francisco foram demitidas por causa dos cortes de verba do governo federal.

Fluxo das águas

O impacto mais óbvio da transposição é, justamente, a retirada de água de um rio já bastante sobrecarregado, segundo Castro. "Antes das barragens, na década de 1970, a vazão do rio ao longo do ano mudava de forma mais considerável. Tinha os períodos de cheia, com inundação das margens, e, quando baixava, tinha a agricultura de várzea", recorda o especialista em políticas públicas.
Por causa das hidrelétricas, o São Francisco já tem o seu fluxo limitado, pois elas retêm a água para poder passar com força pelas turbinas. "Principalmente Sobradinho e Três Marias seguram a vazão do rio. É uma água controlada", diz Pereira, do Cemafauna.

Isso faz com que as comunidades que estão depois das usinas dependam totalmente do volume de água liberado por elas.

Funcionamento dos canais da transposição do São Francisco — Foto: Aparecido Gonçalves/G1
Funcionamento dos canais da transposição do São Francisco — Foto: Aparecido Gonçalves/G1

A lógica da transposição é parecida. A ideia é que a vazão de água do rio para os canais seja limitada, de modo a não prejudicar o nível normal do rio. Mas grupos envolvidos na transposição debatem e discordam entre si sobre os impactos causados pelo desvio da água.

Se, por um lado, os grandes empreendimentos trazem benefícios, levando eletricidade e água para novas partes do Nordeste brasileiro, por outro, há também o deslocamento forçado de populações e a destruição do habitat natural de animais e plantas.

José Alves Siqueira avalia que muitos dos impactos da transposição são silenciosos. "É preciso ter uma visão sistêmica do São Francisco. Priorizar as áreas de conservação da caatinga, diminuir o impacto da desertificação, garantindo a preservação da água e da biodiversidade", diz o pesquisador.
Área degradada por construção de estrada e estruturas de irrigação à beira dos canais do Rio São Francisco — Foto: Celso Tavares/G1
Área degradada por construção de estrada e estruturas de irrigação à beira dos canais do Rio São Francisco — Foto: Celso Tavares/G1

Desmatamento, desertificação, assoreamento

Segundo o geógrafo José Antônio Vilar Pereira, membro de um grupo de pesquisa da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e autor de artigos sobre os impactos socioambientais no Eixo Leste da transposição, todo empreendimento dessa grandeza tem consequências positivas e negativas.

Entre os impactos negativos, a retirada da vegetação para a construção dos canais é um dos mais graves. "Isso por si só é um problema, pois deixa o solo desprotegido", diz Vilar.

É possível restaurar essas áreas degradadas pela transposição? Pesquisadores do Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental (Nema) estão recompondo a vegetação nativa desde 2014 nas margens dos canais.

"Em nosso primeiro monitoramento, em maio de 2017, a maior parte das áreas onde interviemos tinha cobertura do solo inferior a 10%. Após dois anos, a maioria tinha cobertura superior a 50%. Além disso, mais de 80% das mudas que plantamos sobreviveram", diz o coordenador do projeto, Renato Garcia Rodrigues, da Univasf.

O projeto também resgatou 270 mil plantas da caatinga na área que seria escavada para construção dos canais, de acordo com o ministério. Cerca de 14,2 toneladas de sementes de espécies nativas da caatinga foram coletadas e, deste total, 4 toneladas foram semeadas para recuperação do solo nas áreas do empreendimento e mais 5 toneladas seriam semeadas 2020. Aproximadamente 40 mil mudas de árvores nativas já foram plantadas e outras 68,7 mil teriam sido plantadas até março de 2020.

O assoreamento é outra consequência da retirada da vegetação na caatinga. As chuvas no semiárido são pouco frequentes, mas, quando chove, chove forte. Sem plantas, "o sedimento retirado do solo nas áreas desmatadas vai ser carregado para os canais, para os rios e principais reservatórios de água. Isso vai causar a diminuição da capacidade desses reservatórios, que precisam ser limpos com frequência", afirma Vilar.

Biodiversidade

Com a água do São Francisco, espera-se que também peixes e outras espécies aquáticas e terrestres consigam chegar a áreas onde antes não existiam. A interação entre espécies pode ter consequências imprevisíveis sobre a biodiversidade do cerrado e da caatinga. quando todos os eixos estiverem operando é que vai se poder fazer uma avaliação concreta sobre os impactos.

Luiz César Pereira, do Cemafauna, diz que ainda é incerto, por exemplo, qual será o comportamento de aves migrantes. "Algumas aves da América do Norte vão até Minas Gerais e depois voltam. Agora elas têm mais de um eixos do São Francisco para entrar, e já vimos alguns bichos nos canais", conta.
Também Vilar diz que a mudança nas características dos ecossistemas influencia fortemente as espécies. "Temos espécies que estão adaptadas a águas paradas e outras de águas correntes. A transposição pode fazer com que espécies de águas correntes tomem espaço de espécies de águas paradas", afirma o geógrafo.

Especialistas alertam, ainda, para a difusão de espécies invasoras ao longo dos canais, algo que já está acontecendo. A algaroba, por exemplo, é uma planta peruana que foi trazida ao Nordeste nos anos de 1940, mas sua difusão ficou descontrolada. "Temos a invasão desse e de muitos outros organismos. Eles são mais flexíveis, mais resistentes e fazem uma competição química para inibir as espécies nativas", diz José Alves Siqueira.

A algaroba é uma planta peruana que foi introduzida no Nordeste brasileiro e se tornou espécie invasora na região dos canais do Rio São Francisco — Foto: Celso Tavares/G1
A algaroba é uma planta peruana que foi introduzida no Nordeste brasileiro e se tornou espécie invasora na região dos canais do Rio São Francisco — Foto: Celso Tavares/G1

Para Pereira, a supressão das áreas naturais de animais é um dos impactos de maior peso, causados diretamente pela transposição (com a construção dos canais) e indiretamente (com as atividades que usam a água do São Francisco, como as grandes plantações). Por isso, diz ele, já foram resgatados quase 170 mil animais em áreas da transposição, por meio do programa do Cemafauna.

O desafio, agora, é manter os recursos para continuar o trabalho. Para o resgate de animais, por exemplo, são necessárias centenas de funcionários. "A construção da obra teve uma boa gestão, mas é preciso que essa parte da pesquisa e mitigação dos impactos nas áreas social e biológica também seja estendida", comenta Pereira. "Não adianta monitorarmos só por mais um ano depois da conclusão da obra", diz.

FONTE: G1

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quarta-feira, 24 de junho de 2020

EXEMPLO: PRESIDENTE DE PORTUGAL DÁ VIDEO-AULA PARA ESTUDANTES NA PANDEMIA

Presidente de Portugal dá vídeo-aula para estudantes na pandemia e bomba nas redes

Professor de formação, Marcelo Rebelo de Sousa foi elogiado por brasileiros, que aproveitaram para criticar Jair Bolsonaro

Foto: Reprodução/RTP / Por Ricardo Ribeiro  

O presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa (PSD), que professor de formação, parou suas atividades de Estado para ministrar uma vídeo-aula para os estudantes do ensino fundamental do país.

O projeto #EstudoEmCasa é uma parceria entre o Ministério da Educação e a televisão pública RTP para a produção de aulas transmitidas pela TV para os alunos do 1º ao 9º ano, longe das escolas durante a pandemia de coronavírus

A aula foi ao ar em 15 de junho, mas viralizou nas redes sociais nesta quarta-feira (24), especialmente no Brasil, com elogios ao presidente. “As vezes eu fico sonhando em como seria ter um professor como presidente”, escreveu um usuário no Twitter. “O presidente de Portugal dá aula de cidadania para as crianças, aqui o Bolsonaro dá aula de descaso todo dia”, disparou outro.

Em 28 minutos de aula, Rebelo tratou de temas como cidadania e sobre as dificuldades enfrentadas durante a crise do coronavírus. Segundo o presidente e professor, “essa experiência mudou o mundo para sempre em nossas vidas”.

Marcelo Rebelo de Sousa proferiu no dia 20 de Setembro de 2018 a sua “última lição formal” como professor da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, onde foi aluno e depois docente, durante mais de 40 anos, desde 1972.



Marcelo, que também já trabalhou como jornalista, é uma figura midiática em Portugal. Acostumado a fazer mais atividades públicas do que seus sucessores, é considerado carismático, busca contato constante coma população e tem acumulado recordes de popularidade.

Durante a pandemia, o país tem sido elogiado por ter controlado a pandemia de forma rápida. As medidas de isolamento foram tomadas sem demora e tiveram grande adesão da população, com coordenação do presidente e do governo do primeiro-ministros, António Costa (PS).

Em 20 de maio, uma foto de Marcelo também viralizou nas redes. Ele estava de máscara, sozinho e cumprindo, sem tumulto, o distanciamento na fila do supermercado do bairro onde mora. Novamente, brasileiros fizeram comparações com críticas a Jair Bolsonaro.

FONTE: REVISTA FORUM

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'nuvem de poeira Godzilla' a caminho viaja 10 mil km do Saara para as Américas

O que é a 'nuvem de poeira Godzilla', que viaja 10 mil km do Saara para as Américas
23 junho 2020

Nuvem
Direito de imagem NOAA / Image caption
A nuvem se formou no continente africano e atravessou o oceano

Uma gigantesca mancha opaca encobre há dias parte do Oceano Atlântico. Nas imagens capturadas por satélites, uma nuvem marrom que vai da África até o Caribe cobre os tradicionais azul e branco vistos por satélite.

Esse é um sinal inequívoco de que uma nuvem de ar do Saara — uma massa de ar muito seco e com poeira do deserto africano — se move em direção às Américas. Alguns especialistas chamam ela de "nuvem de poeira Godzilla". Se trata de um fenômeno recorrente a cada ano, mas que parece ter se intensificado em 2020.

No Caribe, os efeitos já são sentidos. Em vários países existe a recomendação para que os cidadãos usem máscaras e evitem atividades ao ar livre, dada a alta concentração de partículas no ar.

Navios também foram advertidos sobre a baixa visibilidade para navegação.

Puerto Rico
Em San Juan, em Porto Rico, a visibilidade ficou menor


De acordo com Olga Mayol, especialista do Instituto de Estudos de Ecossistemas Tropicais da Universidade de Porto Rico, a atual nuvem tem uma concentração mais alta de partículas de poeira observadas na região em comparação com os últimos 50 anos.

O fenômeno começou a ser observado em uma área do oeste da África há uma semana e agora já percorreu mais de 5 mil quilômetros pelo mar até o Caribe, passando por terra em partes dos continentes americanos, como a Venezuela.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) prevê que a coluna de poeira do Saara continuará se movendo rumo ao oeste pelo Mar do Caribe, alcançando áreas do norte da América do Sul, América Central e da Costa do Golfo dos Estados Unidos nos próximos dias.

Vários países da área registraram a presença da poeira do Saara e usuários das redes sociais compartilharam imagens de paisagens alteradas pela nuvem, algumas com intensas cores diferentes no amanhecer e no entardecer.

Caracas
EPA Image caption
A poeira africana deixou a capital venezuelana Caracas com baixa visibilidade

De que se trata?

Essa massa de ar seco e carregada de partículas de areia se forma sobre o deserto do Saara no final da primavera, no verão e no começo do outono no Hemisfério Norte, e geralmente se desloca em direção ao Oeste sobre o Oceano Atlântico a cada três ou cinco dias.

Quando ocorre, costuma ser de curta duração, não superior a uma semana. Porém a presença de ventos suaves em certas épocas do ano a tornam mais propensa a cruzar o Atlântico e percorrer mais de dez mil quilômetros.

Com que frequência ocorre?
A chegada à América da nuvem de poeira do Saara não é incomum e ocorre várias vezes ao ano. No entanto, segundo os meteorologistas, a nuvem atual é uma das mais densas em meio século.

Tradicionalmente, a atividade da camada de ar do Saara aumenta em meados de junho, alcançando seu ponto máximo do final deste mês até meados de agosto, quando começa a diminuir rapidamente. 

Durante seu período de maior atividade, a camada de ar saariana chega até a Flórida, América Central e Texas, cobrindo uma área enorme que, incluindo as partes do Atlântico, é superior ao território dos Estados Unidos e do Canadá juntos.

De acordo com a NOAA, a cada ano, mais de cem milhões de toneladas de poeira saariana sopram da África — e algumas partículas já chegaram até o Rio Amazonas.

A camada geralmente tem entre três e cinco quilômetros de espessura, e e encontra a uma altura de um a dois quilômetros na atmosfera.



Quais são seus efeitos?
Como todo fenômeno natural, as nuvens de poeira contribuem de diversas formas para os ciclos da natureza no planeta.

Em primeiro lugar, o calor da camada ajuda a estabilizar a atmosfera quando o ar quente da nuvem passa por cima de ares mais frios e densos.

Mapa da Terra
Direito de imagemNASA/ Image caption
A poeira está composta de diferentes elementos químicos que fertilizam o solo e o mar

A poeira mineral absorve luz solar, o que contribui para regular a temperatura do planeta.

Os minerais contidos na poeira também repõem nutrientes nos solos das zonas tropicais, que são afetados por chuvas.

Alguns dos químicos podem ajudar a vida nos oceanos. Mas especialistas também alertaram para a presença de alguns elementos tóxicos que podem ser nocivos para algumas espécies, como os corais.

Segundo a NOAA, o calor, a secura e os fortes ventos associados a esta camada de ar saariana suprimem também a formação e intensificação de ciclones e furacões.

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos projetou para 2020 uma temporada mais intensa do que o habitual, mas se nuvens como essas se formarem nos próximos meses elas podem contribuir para que os furacões sejam enfraquecidos.

Quais são as implicações disso para saúde humana?

A qualidade do ar é consideravelmente afetada e isso pode ter impacto sobre a saúde humana.

O ar seco e empoeirado tem aproximadamente 50% menos umidade do que a atmosfera tropical típica, o que pode afetar a pele e os pulmões.

O alto teor de partículas também pode ser nocivo para pessoas com problemas respiratórios, causando alergias e irritações nos olhos.

No contexto atual, com a epidemia do coronavírus, as autoridades sanitárias de alguns países têm alertado sobre o risco extra da nuvem de poeira para pessoas com problemas respiratórios.

No domingo, o departamento de Saúde de Porto Rico alertou que pessoas com asma, problemas respiratórios e alergias, assim como aqueles que foram contaminados com covid-19, deveriam tomar medidas extras de cautela e proteção. 

FONTE: BBC

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